O Ribeirão
Hoje, fazendo a leitura da Lei 12.651/12, a qual dispõe sobre a proteção da vegetação nativa, recebi essa notificação de lembrança de 3 anos do Facebook. Texto antigo que vale ficar registrado aqui também.
Escrevi esse texto há uns quinze ou vinte anos atrás, não sei ao certo. Estava muito bem guardado com o meu primo Larson. Infelizmente nunca mais tive notícia do ilustre Jone Jegue...
O Ribeirão
Jone Jegue era o morador mais antigo da vila do Varador, quase mais velho que a vila. Ele andava muito triste, pois olhava como a vila havia mudado para pior. Viu um menino na praça e disse:
- Ei menino, venha cá!
- Pois não, véio! - disse o menino.
- Muleque, num seja tão marcriado! Eu num sô véio! - respondeu Jone, muito bravo.
- O sinhô é véio sim, é mais caduco qui a minha vó e mais antigo que a vila! - retrucou o menino.
- Mintira, a vila é dois dia mais velha di qui eu. - respondeu Jone.
- Mas ainda assim é véio! - insistiu o menino.
- Isquece disso e mi orve que eu tenho muita curtura procê! - disse Jone.
- As cinco premera casa foram criada em 1900. O ribeirão era limpinho qui só ele. Vivia tinindo, modi qui nóis nem carecia di ispeio. As muié tudo si impiriquitava na beira do rio e ficava mais bunita do que hoje. Nós usava o rio pra tudo, a gente pescava só o que carecia e nada mais. As estrela era formosa e de noite a lua briava nas água do ribeirão. Havia incrusive um homem muito valente que subiu o rio e até hoje veve na froresta. - disse Jone.
- E por que qui nos dia di hoje o ribeirão é tão feio e mar cheiroso? - perguntou o menino.
- Era isso qui eu ia falá. Aconteceu em 1970, umas indústria de São Paulo chegô na região pra fazê uns produto. Elas dispejava tudo qui era porcaria nele. O pobrezinho foi ficando sujo, dispois começô a fedê, os peixe tava tudo morto, as pessoa morria com as água poluída. Logo tivemo que trabaiá pela fábrica que havia destruído o rio ganhando uma mixaria. - contou Jone.
- E hoje continua assim, nunca mesmo eu vô trabaiá na fábrica, vô continuá no meu mercadinho trabaiando duro. - disse Jone indignado.
"Mas vendê as mercadoria da fábrica é otra coisa." - pensou Jone consigo mesmo.
- Ei menino, venha cá!
- Pois não, véio! - disse o menino.
- Muleque, num seja tão marcriado! Eu num sô véio! - respondeu Jone, muito bravo.
- O sinhô é véio sim, é mais caduco qui a minha vó e mais antigo que a vila! - retrucou o menino.
- Mintira, a vila é dois dia mais velha di qui eu. - respondeu Jone.
- Mas ainda assim é véio! - insistiu o menino.
- Isquece disso e mi orve que eu tenho muita curtura procê! - disse Jone.
- As cinco premera casa foram criada em 1900. O ribeirão era limpinho qui só ele. Vivia tinindo, modi qui nóis nem carecia di ispeio. As muié tudo si impiriquitava na beira do rio e ficava mais bunita do que hoje. Nós usava o rio pra tudo, a gente pescava só o que carecia e nada mais. As estrela era formosa e de noite a lua briava nas água do ribeirão. Havia incrusive um homem muito valente que subiu o rio e até hoje veve na froresta. - disse Jone.
- E por que qui nos dia di hoje o ribeirão é tão feio e mar cheiroso? - perguntou o menino.
- Era isso qui eu ia falá. Aconteceu em 1970, umas indústria de São Paulo chegô na região pra fazê uns produto. Elas dispejava tudo qui era porcaria nele. O pobrezinho foi ficando sujo, dispois começô a fedê, os peixe tava tudo morto, as pessoa morria com as água poluída. Logo tivemo que trabaiá pela fábrica que havia destruído o rio ganhando uma mixaria. - contou Jone.
- E hoje continua assim, nunca mesmo eu vô trabaiá na fábrica, vô continuá no meu mercadinho trabaiando duro. - disse Jone indignado.
"Mas vendê as mercadoria da fábrica é otra coisa." - pensou Jone consigo mesmo.
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